Hoje em mais uma assembleia da comissão científica do DEETC do ISEL sobre a adequação dos cursos deste departamento a Bolonha, respondo a mim próprio a algumas das questões colocadas. Para mim a questão mais relevante é sem dúvida: “O que é que um aluno sabe fazer quando conclui este curso?” “Quais são as aptidões de um aluno para o mercado de trabalho quando termina o curso X ou Y?” “Como é que o aluno responde à pergunta: O que é que você sabe fazer?” Ninguém pode ser indiferente a estas questões, quando se trata de reestruturar, alterar ou adequar um curso. Sem dúvida, que o objectivo final de uma licenciatura tem que ser o mercado trabalho (sobretudo numa altura em que tanto se fala nos recém licenciados desempregados).
Bom. Posto isto e admitindo que todos são sensíveis ao problema, responda cada um de vós, o que é que sabia fazer quando foi à primeira entrevista de emprego (para quem se aplique este caso). Eu vou responder o que é que sabia fazer. NADA. Pronto, sabia um pouquinho mais que nada, sabia programar. Ou, pensava que sabia. Apesar disso:
- tive várias propostas de emprego sem as ter procurado;
- no meu primeiro emprego em que tive 4 anos, evolui de analista informático, para consultor sénior e chefe de projecto;
- fui convidado para o meu segundo emprego para coordenar a área de projectos de consultoria em sistemas e tecnologias de informação;
- outras boas oportunidades tive que recusei;
- e finalmente acabei por abandonar o meio empresarial apenas por vinha vontade.
- tive várias propostas de emprego sem as ter procurado;
- no meu primeiro emprego em que tive 4 anos, evolui de analista informático, para consultor sénior e chefe de projecto;
- fui convidado para o meu segundo emprego para coordenar a área de projectos de consultoria em sistemas e tecnologias de informação;
- outras boas oportunidades tive que recusei;
- e finalmente acabei por abandonar o meio empresarial apenas por vinha vontade.
Em suma, não foi por não saber nada que não desempenhei as minhas funções com competência e qualidade nas empresas em que trabalhei. E já agora, ganhei muito, MUITO dinheiro enquanto por lá trabalhei. E nisto tudo para que serviu a licenciatura?
Pensando nisto e na discussão de quais as disciplinas da licenciatura que vão dar melhores aptidões e competências aos alunos para o DITO mercado de trabalho, só me dá vontade de rir. Pergunto eu? É isso o mais importante? Para mim e muitos dos meus amigos que conheço que lá estão no “dito mercado”, 80% das disciplinas que fizemos na licenciatura iriam para o lixo.
Enfim. Na minha opinião, deixem as decisões para os alunos. Não sejam egocêntricos a pensar que a vossa disciplina é mais importante que a do vizinho. Fizessem um curso com 100% de disciplinas de opção e esse sim seria o curso certo em que eu votaria. As aptidões com que o aluno realmente fica no fim do curso são apenas aquelas disciplinas que lhe deram prazer e conhecimento. Tudo o que aluno tiver que aprender, aprende por gosto, não por obrigação.
Por isso é que desde que voltei à vida académica me sinto a aprender tanto. Porque hoje em dia só estudo aquilo que quero e que gosto. Quem me dera ter tido uma licenciatura assim e não um curso cheio das disciplinas dos “carecas”. Cinco cadeiras para fazer por semestre sem nexo e qualquer relação. E já agora o que dizer de cinco cadeiras por semestre? Alguém faz 5 cadeiras num semestre a saber BEM, repito saber BEM o conteúdo dessas 5 cadeiras. Pode ser que num outro post me apeteça reflectir sobre essa hipocrisia.